quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Mutações Possíveis - SEVEN Guitars STC-307

  Guitarras com Excelente Custo/Benefício #2



E vamos continuando a falar sobre guitarrinhas muito baratas e bem interessantes, tocáveis e com boa construção pra aceitarem bem nossas experimentções e modificações! Tive a oportunidade de conhecer essa marca bem recentemente e por pura sorte pude pegar essa SEVEN STC-307! Obviamente no "estilo" Telecaster, sunbusrst, escala escura do tal TechWood, braço em maple e corpo de Basswood. Um friso branco/creme em volta do corpo deu um toque elegante e bem legal na minha opinião. Nós estamos aqui falando sobre uma guitarra na faixa de R$ 950,00 nova ( Stock ), então isto estará sendo levado em consideração em todas as críticas e elogios. A guitarra veio regulada para cordas .009, assim mantive o calibre ao colocar as cordas novas. Estou testando esse calibre em lugar do .010 que costumo usar. Acho que vou fazer essa transição nas minhas guitarras de escala mais longa, estilo Fender. A idade chega e quanto mais fácil para os músculos e articulações dos dedos, melhor!

Para uma guitarra praticamente de entrada, ela tem especificações bem interessantes:
Características Gerais Originais segundo o Fabricante
Captadores:
- Braço - 5,4K - Single Coil Passivo / Cerâmico
- Ponte - 5,9K - Single Coil Passivo / Cerâmico
Braço:
- Madeira: Maple ( verniz )
- Perfil shape - D
- Acabamento: Brilhante
- Escala: Technical Wood
- Comprimento da escala - 47,5
- Raio da escala - 12”
- Marcações: Dots
- Tarraxas: Blindadas
- Tensor: Sim. Bilateral
- Nut (Capo Traste): 42mm
- Número de Trastes: 22
- Traste Medio Jumbo
Corpo:
- Formato do Corpo: Telecaster
- Madeira do Corpo: Basswood Sólido
- Comprimento do corpo - 40cm
- Ponte: Fixa 6 saddles. Cordas passando através do corpo!
- Jack: P10
- Construção: Bolt-On Neck (Junção Parafuzada)
- Comprimento total - 98,5
- Encordoamento: .09 / .042
- Número de Cordas: 6
- Utilização/Mão: Destro
- Controles: Potenciômetro de Volume (1), Potenciômetro de Tonalidade (2) e Chave Seletora de 3 Posições
- Peso 3.30 kg


Eu fiquei surpreso com o acabamento e a estética geral da guitarra, incluindo alguns detalhes que normalmente me aborrecem nesse tipo de instrumento mais barato. Porém não pude ter a experiência real de tocar numa dessas STC-307 exatamente como sai da loja porque já a peguei de seu ex dono com várias ( e muito bem vindas ) mudanças e substituições.


A lista de upgrades feitos pelo dono anterior segue abaixo:
1. Troca de trastes. Eu usei o DHP-30S, extra Jumbo;
2. Tarraxas: substituídas por Wilkinson WJN-05 sem trava;
3. Os dois pots são Alpha A250k. O de Volume com treble bleed. No pot de Tone usei um capacitor de 22nf , além disso cortei a trilha no início do curso desse pot. Isso tira o pot do circuito quando todo aberto ( conhecido como "NoLoad" );
4. Saddles de inox. Certamente já são melhores que os de zamac originais;
5. Troquei também os rebaixadores de corda;
6. Nut de plástico substitído por um Graphtech xl;
7. Todos os parafusos inox, allen;
8. Os captadores eram Kent Armstrong Hot Vintage. Ambos Alnico 5, DCR - 9.2K Ponte e 7.2 Braço. Sem a capa metálica do pickup do braço - O fio parece Polysol;
9. Foi toda blindada internamente.


Só posso dizer que a guitarra que chegou aqui já era muito boa de tocabilidade, afinação e até de sonoridade ( se bem que um pouco mais brilhante do que eu gostaria... ). Já dava pra levar pra Gig! Porém eu já tinha em mente algumas ideias que me deixariam mais à vontade com essa Tele. E as minhas modificações foram:
1 -  Substituí o capacitor do Tone por um de 100nF (estilo chiclete da Fender, que tinha por aqui);
2 - Troquei a captação por um set que eu queria há um bom tempo experimentar, feito na China, da marca Waaah. Cheio de histórias, se dizendo feito artesanalmente, e com preço excelente no Mr AliExpress. O captador da ponte apresenta 9.4K de resistência DC e base de liga de cobre, o do braço 7.4k - Ambos de Alnico 3 e enrolados com fio Plain Enamel...

4 - Substituí a ponte, que é bem boa, com os seis saddles de aço, por uma Wilkinson com três saddles de latão e compensados em relação à afinação das oitavas. Muitos torcem o nariz pra esse tipo de ponte, mas eu gosto bastante do resultado sonoro. Infelizmente a disposição, apesar de bater com o alinhamento das cordas e do braço, tem menor tamanho e deixa os furos da anterior visíveis... Ok, foi um preço antiestético que resolvi "pagar". Ambas as pontes, a anterior e essa atual, tem sua base em metal ferroso, o que também mexe com o captador ali instalado de forma interessante para os timbres que me interessam. Vou deixar o link do site "Louco por Guitarra" com essa matéria sobre essas pontes com liga que contem ferro...


5 - Coloquei tarraxas com trava Planet Waves, porque já as tinha comigo, e são especialmente práticas na hora de trocar cordas.
6 - Troquei o escudo original branco por um preto de uma Fender American Special que tive há agum tempo atrás e que ficou comigo. Só estética mesmo!
7 - Desgastei o braço na parte de trás, onde se apóia a mão, com bucha sintética de cozinha, aquela verde. Foi o suficiente para ficar mais acetinado e mais fácil de escorregar por toda a extensão do braço.
8 - Cheguei a instalar nessa nova ponte um aparato que faz o famoso B-bender de forma muito mais prática e infinitamente mais barata e menos invasiva! Porém desinstalei... Depois eu explicarei a razão!

Por enquanto é isso mesmo! Minhas impressões momentâneas do Projeto Telecaster SEVEN é de obtive sucesso ao implementar esse projeto usando essa guitarra como plataforma! A tocabilidade é realmente muito boa. Eu não sou apaixonado por escala com ângulos muito abertos, mas 12" ainda é confortável para acordes e facilita os bends. O som chegou muito perto do que eu desjava encontrar. Médios com Twang e Punch ao mesmo tempo no captador da ponte! Eu já tinha tido uma experiência assim usando um pickup de ponte enrolado bem além do usual, nesse caso 9.4K. O captador do braço, mesmo mantida a capinha de metal, soa aberto e forte também. A novidade foi o Alnico 3 nessa equação... Sobre a construção, que é original da guitarra, tenho que elogiar... Lembremos que essa  marca é brasileira, mas as guitarras são construídas na China. Ou seja, as escolhas feitas para se ter um bom instrumento e manter o preço baixo parecem ter sido muito bem ajuizadas! Até agora fiquei impressionado como ela é leve e tem sustain e vibração no corpo e no braço. Essa é a primeira vez que me relaciono com uma guitarra que usa TechWood na escala e não consegui perceber até agora nenhum problema. Vou deixar o link de um video onde o luthier Alexandre Cesar faz uma troca de trastes numa Tagima com o dito material e comprova ser OK. 

Esteticamente a guitarra me agradou bastante, principalmente em alguns pequenos e outros não tão pequenos detalhes. A decisão de ter as cordas através do corpo me agrada! O formato do headstock também foi bem escolhido...rs. A  parte de trás do braço, onde vai engrossando pra caber no encaixe do corpo - neck pocket - tem um desenho mais Fender/Squier no lugar de muitos braços chineses que tenho visto por aí, que são esculpidos de forma menos elegante e nada suave. A pintura é ok, pra mim funcionou mais do que o esperado tendo em mente a faixa de preço. Fora todas as modificações certeiras feitas pelo dono anterior. O detalhe dos parafusos Allen é ótimo! a parte elétrica estava bem legar também.



Vou preparar um video tocando com essa SEVEN STC-307 pra vocês terem uma ideia geral da vibe da guitarra!

Nota #1 - Sobre o B-bender testado:


Um produto bem bacana, bem imaginado e bem construído. Muito prático, médio/fácil de instalar e bem barato! Agora os meus dois centavos de prosa... A princípio a instalação desse modelo ( no meu caso o específico para ponte de três saddles ) não requer modificações no corpo ou mesmo na ponte. Mesmo sem alterações ele funciona bem, mas por outro lado cria uma certa dificuldade da corda voltar à afinação depois de um bend mais sério... Pelo que vejo o problema poderá ser sanado por um pequeno procedimento na ponte. A corda B (Si) passa pelo buraco traseiro da ponte para o B-bender, enquanto as outras continuam acessando a ponte por baixo, através do corpo. O problema é que há um ponto de grande fricção da corda com a parte superior do buraco, por conta do ângulo de contato. Em algum momento isso inclusive levou a corda a se partir. Então imagino que abrir à partir da parte superior desse buraco na ponte até em cima e assim aliviar esse ponto de estresse entre os materiais. Como ainda não utilizo normalmente o B-bender, achei melhor deixar fora de ação até resolver meter a mão na massa e dar essa "ajeitada" na ponte.


Esse é o video do Luthier Alexandre Cesar mostrando uma troca de trastes numa escala de Technical Wood (TechWood):









2 comentários:

  1. Muito bacana, o preço dessa guita é surreal. Quanto ao raio, meu limite é 10 para falar a verdade, acho que 10 é o da prs que tenho, mas 12 ainda passa. Peguei um braço de tele de raio 16, terminei refazendo o raio e colocando trastes jumbos. Braço de wenge, bem bonito por sinal. Fiquei curioso com esses captadores waaah.Valeu novamente te mestre. Baita posto

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    1. Valeu, Laerte, meu amigo!
      Os captadores dessa marca Waaah me supreenderam positivamente! Vou me esforçar pra colocar um videozinho mostrando o som da guitarrinha!
      Grande abraço e volte sempre!

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